segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tudo cinza...

Hoje andei pela cidade fantasma, e passei por toda a história de ruas, prédios, praças, pontos de ônibus, escolas, museus, lojas... Todas vazias, todas na espera de um tempo que nunca voltará, tempo em que tudo fazia sentido, tempo em que todas as respostas não eram necessárias, pois a paz sanava a cabeça e a paz se fazia de uma forma que nunca mais será. Será?

Tantos cantos cinzas, borrados, portadores dos pedaços de historia que a mente teima em manter vivos...

Foi quando percebi que a cidade cabia em mim ou eu mesmo era a cidade ou ... eu era o fantasma, preso a um tempo que não era mais meu, e então as cores voltaram, o borrado ficou claro e comecei a ficar cinza e borrado...

Exupéry hoje me pareceu estranho...

Do céu de minha janela, me peguei pensando em Exupéry, e em como sua frase me pareceu estranha esta manha. Em como dois mundos diferentes podem fazer parte do mesmo universo, em como somos crianças e adultos e as coisas mudam sem mudar ou se transformam e permanecem as mesmas... “Somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos...” Como sempre? Sempre não faz parte do nosso contexto, tudo muda, passa, se transforma, o mundo, a tecnologia, nossos corpos, pensamentos e sentimentos. Então como podemos ser responsáveis atemporalmente por algo que afirmamos? Para uma criança com seu melhor amigo faz sentido sendo assim é verdade, para o adolescente com suas fortes emoções, mas para o adulto não. Não podemos responder pelas nossas frases infantis, pelos arroubos adolescentes, porque não somos mais aquelas pessoas. Não somos mais aquelas frases, há outro no lugar com outros valores, símbolos e vivências. Não, não somos eternamente responsáveis porque só ao adultecer, percebo que nada dura para sempre (exceto ) que assim eu o queira e aí reside toda a diferença, o meu querer. Hoje eu escreveria como “Somos diariamente responsáveis por cativar aquilo que queremos conosco”. Um sorriso, uma idéia, uma conversa, uma saída, uma balada, uma dança, qualquer coisa que seja novo, que mantenha o interesse, o elo, o vínculo e quando não isso tudo, um telefonema basta, mas nada se disca sozinho, tem que se querer. Nada se mantém por simples manter, nada se sustenta sem a novidade, sem a diferença, sem a inovação. O sempre não existe o que existe é um hoje constante.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Hoje as palavras não são minhas amigas...

Hoje as palavras não são minhas amigas, escorrem por meus dedos como arreia que tento reter, junto com um pouco de mim que também escorre e se esvai pelo ralo de mim...

Ou nas palavras de Renato “vem de repente um anjo triste perto de mim” e me faz companhia, ouve o teclar de meus dedos, espreita por meu ombro para ver se falo dele. Só ele é meu companheiro, e talvez esteja triste e isso de alguma forma irradie para mim, vem como ondas e ondas e ondas e ondas. Me toma de surpresa leva meus pensamentos para o abismo de mim e deixa o peso se apossar de meu corpo me puxando para o chão, para a cama, para laconidade, me puxa para mim que sou tão meu que não sou mais de ninguém, nem de mim mesmo e é nesse tempo que me tenho saudade do mim que sorri e que agora tão distante vaga longe daqui...

Hj a noite anjo, somos só vc e eu, vc no seu silêncio eu no meu teclar, no meu vagar, no meu pesar... esta noite vai demorar a passar... Fico na companhia ensurdecedora do silêncio que me toma nesses momentos...

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... hj as palavras não são minhas amigas...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O pássaro, o elefante e a Boa Vista

Certa vez me contaram a história da ave que pegava água no bico para apagar o incêndio na floresta e do elefante que corria para salvar sua vida... cuja mensagem é, pelo menos estou fazendo a minha parte.

Hoje vejo o inconveniente de histórias assim, porque a ave jamais apagou aquele incêndio e o elefante refez a sua vida e outro lugar... essa parte não me contaram, tive que deduzir.

Mas o crítico diz, mas se cada um fizesse a sua parte... fato as pessoas sempre fazem a sua parte, só que no intento de seus umbigos... assim as florestas queimam, os pássaros morrem e os elefantes gozam... é assim a pequena história com a moral invertida, é assim a vida, é assim a história.

O que vi na boa vista foram pássaros queimando e a floresta que desapareceu, nisso não há mérito, heroísmo, ou glória, porque na vida não se há mérito em derrotas, sinto informar, a passagem não vai baixar por mais que os pássaros morram, por mais que a floresta queime... os elefantes querem é gozar...

Talvez um dia chegue em que os elefantes voltem, e ajudem, mas para quem estuda o ontem, esse amanhã não faz parte desta nação de vacas... E acho que nunca vou poder contar a historia original para o meu filho, exceto que tenha na capa explicito que se trata de uma ficção moral... E essa ficção jamais será realidade sem os elefantes... aliás, jamais será realidade de forma alguma... o passado não me permite ver esse futuro...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Acho que começo a me tornar de fato Noctívago...

Algumas pessoas dizem que sou anti-social...

Porque não gosto de fazer social pra minha familia...

Porque não saio pra beber...

Porque não curto algomerações...

Porque sou de conversar poruco sobre o tempo, BBB, novelas, ou vizinhos...

Porque me dou bem com meu silêncio...

Porque passo horas do meu dia agarrado no notebook ou lendo...e muitas vezes lendo no note...

Porque tenho papos chatos, política, economia, filosofia, metafísica, história, educação, saúde...
Se bem que com esses papos quando tenho ouvintes sou mais chato do que anti-social.

Bem... quando paro e leio tudo isso... é de fato sou anti-social... não sei se isso é bom ou ruim... as vezes me sinto só é verdade, mas quando tento curar isso ao lado de alguem cuja companhia me incita assuntos triviais, sinto uma vontade enorme de ficar sozinho novamente... é estranho.

Talvez por isso a filmes, livros e pensamentos tenham sido meus mais próximos...Minha fome por informação cresce a medida que tento me reconectar com as pessoas...
Sou mais intelectual, inteligente, líder ou bem sucedido por causa disso..? Não. Nem um pouco. O efeito disso é que me distancio cada vez mais...

A madrugada virou meu pano de fundo para momentos de silêncio, contenplação, idéias, textos, filmes e livros...Minha estante me olha, se oferece, virou minha fornecedora de dados e eu seu decodificador, olho-a e me perco, me acho, me sou só, me sinto só, e me lembro das companhias poucas que me deixaram só, que me deixam só. Sou responsável por meu caminho, sei disso, mas não o fiz inteiramente só, apenas este está se mostrando meu... Não sei se feliz ou infelizmente...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Palavras a esmo...

Quando você se vai, eu fico...
Quando você se vai, eu grito...
Quando você se vai, me agito...
Tudo isso num canto encolhido.

Fico com tudo que era;
e agora não é mais.
Tudo parece o mesmo...
Mas o mesmo não me apraz.
O mesmo foi tocado pelo outro;
tornou o outro parte do mesmo;
e o mesmo, não mais é o mesmo..
...Apenas outro, mas vejo o mesmo.

Você escolhe o que faz;
decide o caminho.
Toma as rédeas do destino;
escolhe roubar minha paz.

Assim vejo... assim é a vida
As vezes insensível, as vezes sentida,
As vezes caótica muito fora da medida...
As vezes, simplesmente assim, sem saída.

Aceita o que te escolhem.
Cala as boas palavras...
As ruins por mais que rolem...
Não encontram mais a quem se arrole...

Então... aceita o que te escolhem.