quarta-feira, 2 de setembro de 2015
O dia em que vencerei o Hercules
Como foi difícil me fazer em prosa para vocês. Difícil condensar em palavras aquilo que permeia o coração e a mente, resumo do e o extrato de breves momentos juntos, nossas aulas, nossos momentos de aprendizado mútuo.
Difícil por serem vocês tão díspares, tão múltiplos, tão plurais em seus conceitos, e suas bandeiras. Pensei, como passar uma única mensagem para esses que foram meus e agora se despedem para novos ares tomarem, e novos horizontes percorrerem. E nos meus momentos de reflexão e nas minhas leituras só um nome me veio a cabeça, e desde muito que esse nome vem se repetindo.
E esta será minha ultima aula, minha ultima dica, meu adeus com um sorriso no final.
Uma das mais controversas histórias gregas, uma que nunca trabalhei em sala com nenhuma turma, foi justamente a história que me passou pela cabeça quando revejo a nossa trajetória, a História de Anteu.
Anteu era um deus filho de Gaia a titã que representa a Terra e de Poseidom o deus do mar. Era filho, portanto, da terra e da água, dois elementos densos e femininos. Era um gigante de uma força tremenda que vivia na Líbia e forçava todos os viajantes que atravessavam o deserto para uma luta corpo a corpo. Sempre vencia, pois nunca se cansava. Com os esqueletos dos vencidos pretendia construir um templo em honra ao seu pai. O segredo da sua força e resistência vinha da mãe Terra.
Hercules foi o maior heróis da Grécia antiga, segundo a mitologia, em suas veias corria divino e humano, o que lhe proporcionou talentos que o destacaram por sua força e sua coragem. Sua madrasta divina enciumada pelas infidelidades do marido o colocou a prova em mais de uma vez, 12 para ser mais exato. E não havia ser que de bom grado ousasse bater de frente com este colosso em seu período.
Quis o destino que um dia esses dois se encontrassem. O prestígio para o vencedor desta peleja o colocaria numa posição de destaque.
A luta começou e Hercules toda vez que arremessava seu inimigo ao chão, ele se levantava cada vez mais e mais forte. Foi então que Hercules percebeu que Anteu a cada tombo recebia força de sua mãe Gaia que era a Titã da Terra. O contato com o solo refazia suas forças. A solução que Hercules encontrou foi levar a luta para um combate corpo a corpo que não permitisse mais que Anteu tocasse o chão e assim a luta foi vencida pelo filho de Zeus.
Como a palavra “humildade” tem sua origem em “húmus” que quer dizer terra (em latim) e que tem a mesma origem de “humanus”, fiquei pensando na lição de Anteu me ensinou.
Primeiro que as quedas, baques e rasteiras são constantes, principalmente neste novo ciclo que começa para vocês, a vida pós colégio, a vida adulta, a vida das escolhas e de suas inevitáveis consequencias. Cair, tombar, ter o tapete puxado muitas vezes não pode ser evitado, mas Anteu ensina que a cada queda nos tornamos mais fortes, mais resistentes, mais sábios, mais ousados. Anteu ensina que cair não é o problema pois a queda em si é um caminho de saber e se erguer é a nossa única escolha frente as adversidades de vida.
Segundo que na vida não há garantias de nada. As vezes pensamos ter uma base sólida que nos susterá e nos sustentara sempre de tudo o que precisarmos. Mas da mesma forma que o destino quis que os Anteu e Hercules se encontrassem, as vezes nós também encontramos situações que mudam tudo de uma hora para outra, quebrando a nossa base que “sempre” estava lá. Mas o sempre não existe. O sempre é apenas uma ilusão. O que é hoje amanhã pode não ser mais. Gaia pode não estar lá quando precisarmos dela.
E por que me lembrei dessa história. Porque muitas vezes eu caí e percebi que muito da minha força vem de vocês, meus queridos, meus alunos. Eu absorvo essa energia jovem, despreocupada, que vocês distribuem de graça todos os dias, é nessa energia que bebo e faço meu combustível, vocês são o solo em que finco minhas bases para poder lutar a boa luta e cair as vezes e levantar sempre, por mais que o sempre seja pelo menos hoje.
E meu desejo que é vocês encontrem sua base, sua fonte de energia, sua paixão e dela bebam e nela se ergam, transformem e aprendam quem não há garantias de nada, inclusive de ficarmos em pé. Mas aquele que tem a humildade ou a humanidade de aprender com sua queda sempre se erguerá como um herói.
Então meus queridos ao cair levantem, ao lutar não desistam, vençam o Hercules. Por que eu nunca vou deixar de lutar e acreditar em cada um de vocês.
sábado, 5 de outubro de 2013
Só-mente eu...
Hoje a solidão é minha parceira, como há muito não tem sido... Uma solidão intelectual, uma solidão de não ter um colo, uma mão ao lado, um papo leso ou ou papo sério, um papo profundo, subjetivo, futuro, passado, alguém que diga que falo coisas erradas, simples, inúteis, infantis, imaturas, ou que aponte meus erros como há muito já desistiram de fazer...Hoje me sou palavras e meu eco não responde pois até ele está calado. Hoje estou só como há muito, tanto, longevo, não sentia...
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
Que a ironia flua e me passe e me deixe para ganhar nova vida e virar outra coisa, bela, viva e pulsante...
Esvaziar a mente deixar as vozes irem como ondas, em suas próprias ondas, me abandonando de mim, me levando de mim minhas críticas e meus julgamentos tão meus e tão massacrantes. Me faço letras para que o som se faça longe assim me deixe o valoroso silêncio que me faz produzir e ser e não viver no território do “deveria”.
Hoje as vozes fixaram, estão aqui e só vão me deixar quando eu as libertar. A experiência é por vezes uma dor cotidiana, uma repetência de fatos, uma defesa para alguns, um escudo para outros, e em sua mais primal função, uma lembrança de algo que nos faz crescer no ato de estimular o que nos fez bem e repudiar o que aniquilou uma parte pura ou ainda intocada pela dor do viver, ou de “com alguém viver”.
Já experimentei um nível de sensações e de amores e dores, paixões, prazeres e desprazeres que já experimento nesta tenra idade o repetir de muitas dessas experiências. Não saberia dizer se pelo fato de atrair pessoas de um mesmo padrão ou talvez pelo simples motivo de não haverem tantos padrões assim.
Já vi esse sorriso, já ouvi seu som, já senti o olhar e hoje percebo as mudanças de um sorriso falso, um som maquiado e um olhar que antes fixo agora vago pois há coisas mais importantes e pior de tudo sinto os argumentos vindo em ironias...
Ironias.... o tom que traz uma mentira ocultada numa verdade, ou seria uma verdade ocultada no que nada mais existe???
Se toda a verdade me vem agora através disso, significa que o que antes nos era verdade, hj é apenas um sorriso torto sem significado.
Se hoje as palavras são usadas nesse sentido de não dizer nada e fazer da galhofa o argumento, sinto, e deixo a experiência seguir daqui em diante. Ela me diz que disso não surge mais nada. Ela me diz que o que havia esta morto. Ela me diz que esse espectro de contato é apenas uma parte quebrada de uma verdade que não mais existe.
Então que este sentimento flua, siga, e se desfaça. Que encontre outro para sorrir, conversar, e olhar. Que suas verdades as sejam para o novo assim como me eram. E que o verdadeiro sentimento encontrem boas palavras para outro, pois para mim entendo, apenas o nada se faz presente.
E que assim fluam também meus pensamentos e me afastem da tortura da lembrança e da saudade...
Enfim é louco isso.
Algumas coisas são mesmo irônicas em minha vida. Uma grande parte das pessoas não faz a menor ideia do que se passa aqui dentro, principalmente meus alunos. Acho muito engraçado quando ressaltam como sou espontâneo, engraçado, ou mesmo inteligente. A pessoa que está por trás é tão diferente, tão mais pra dentro, tão mais simples, tão menor do que as pessoas acham. Eu não me vejo como a maioria das pessoas me vê, e não sei se são pessoas iludidas ou se faço isso com elas sem propósito, ou mesmo se faço propositadamente, se assim o faço não sei o pq... enfim é louco isso.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Não mais um fundo negro...(Refeito( Apenasmente negro))
Neste espaço havia um texto... com uma proposta, mas... não mais do que em alguns minutos a vida me mostrou que o negro que faz o fundo dessa tela, me é tal qual a pele que uso e vai para onde eu for...e as palavras antes fugazes e vaporosas tão firmes quanto um graveto se quebraram ao ler a mais singela frase... o negro me é apenas.
sábado, 11 de agosto de 2012
...quando...
Amores são para sempre, paixões são eternas, amizades para a vida inteira, e então entre o devaneio, no meio do sonho, com o doce ainda na boca... tudo acaba. Mas onde ficam o sempre, o eterno e o para sempre? Ficam esmagados sob algo que costumamos chamar de maturidade...Hoje entendo porque há o saudosismo da infância, de fato sempre, eterno e inteiro existem, num espaço de tempo expecífico que não transcentem o eterno, passam ilesos apenas por alguns anos da mais tenra infancia. Então não faça essa cara para mim quando eu te jogar o óbvio na cara, tudo acaba, mesmo eu e vc... a grande diferença reside numa palavra do mundo adulto ...quando ............................... .....................................................................................................................................................................................................................................................................
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
tô nem aí...
Hoje cheguei a conclusão de que palavras repetidas de fato não servem, porque você as usa, na imaginação de que não as usará novamente e usa, usa, usa indefinidamente num exercício cíclico que não tem fim... Acho que a teleologia é linda mas certos estavam os gregos, tudo é cíclico, da história as pessoas, com certas revoluções forma-se círculos concêntricos que nos formam mas nunca fora de nossa forma redonda e impenetrável... Peço demissão das palavras... esforço em vão levar o que acho aos outros.... pois agora que se fodam e aprendam com meu silêncio e se não quiserem fodam-se também, de fato, tô nem aí...
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Novos ares...começando tudo novamente... ainda bem...
Menos um... ontem foi o ultimo dia de menos um stress na minha vida. Acabaram-se pessoas falsas, mau preparadas, encontros, sorrisos falsos, trabalho leso e sem sentido... Ontem caiu um saco de tijolos que estava amarrado em meus ombros. Foi importante como toda lembrança ruim o é. Uma vez para nunca mais. Mas essa uma vez sempre se reveste de diferenças.
Vida nova, novos locais, pessoas, sonhos e expectativas... novas possibilidades de experimentar o bom e o ruim, pelo menos são novos, há ainda a chance se ser algo bom... estava cansado de saber ter que viver o ruim...
Novos ares...começando tudo novamente... ainda bem...
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
... minha ultima amiga...
Engraçado como para mim escrever não vem dos dedos, se houver uma alma, minhas letras vem de lá. Só quando sinto o trepidar daquilo que não me é consciente é que transbordam por meus dedos letras confusas tentado a ordem entre o caos. Talvez assim se faça ordem, talvez assim se faça paz, talvez assim eu me cale novamente, talvez assim a voz de dentro não se ouça, e talvez seja um esforço totalmente inútil me sufocar tanto ao ponto de sentir o sufocar consciente daquilo que não deveria sentir.
Hoje vejo que quando você foi, quebrou-se o ultimo elo que me prendia ainda a doce-amarga infância, os sonhos, projeções, duvidas, inconstâncias tão peculiares a mais tenra infância, se foram no momento do adeus.
A vida adulta é tão diferente, tão estranha, tão mais áspera, tão mais rasa e seca.
Diferente daquilo que nos mostram quando somos pequenos, querendo logo ser grandes para desfrutar do sonho que infelizmente vira realidade.
Estranha, não se encontram mais os laços nobres que se aprendem na infância, não se é mais cortes, educado, ou mesmo amigo pelo simples fato de sê-lo, o é ou o somos quando nos interessa se não deixa-se estar fenecer, morrer.
Áspera, o tato não muda, endurece a sensibilidade que paulatinamente é treinada para tornar da pele um couro, dos pés cascos, e dos ombros suportes onde o mundo irá pesar sem pena, sem mágoa, sem final feliz porque todo final traz consigo o triste.
Rasa, as durezas da vida nos põe tão ríspidos que tomamos nosso eu e fazemos de uma imagem o nosso todo, e o todo se perde na imagem daquilo que se apresenta na superfície e passamos um dia por opção a ser rasos e depois o somos por obrigação porque esquecemos o caminho de dentro de nós e assim o caminho do outro.
Seca, com o tempo as alterações da vida nos colocam em caminhos onde a diluição de sensações nos chega como remédio para as dores de quem é muito sensível. É um caminho, não o melhor, porém um. Seca pois a adultecência vê tudo ir e ficar o oco, o desenho daquilo que um dia foi, o vão nas areias de mim, na saudade que repousa daquela que foi minha ultima amiga.
... minha ultima amiga.
Amanhã o sol nascerá e me dirá que a vida segue, agora adulta, e as alterações da vida se chocam com o paradoxo da estática mudez de um mundo que deixa de ser para não perder, perde por não viver, não vive para não sofrer e sofre porque não viveu.
A ultima lição... deixar... ser adulto... minha ultima amiga...
....“Um dia”....
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