quinta-feira, 2 de agosto de 2012

... minha ultima amiga...

Engraçado como para mim escrever não vem dos dedos, se houver uma alma, minhas letras vem de lá. Só quando sinto o trepidar daquilo que não me é consciente é que transbordam por meus dedos letras confusas tentado a ordem entre o caos. Talvez assim se faça ordem, talvez assim se faça paz, talvez assim eu me cale novamente, talvez assim a voz de dentro não se ouça, e talvez seja um esforço totalmente inútil me sufocar tanto ao ponto de sentir o sufocar consciente daquilo que não deveria sentir. Hoje vejo que quando você foi, quebrou-se o ultimo elo que me prendia ainda a doce-amarga infância, os sonhos, projeções, duvidas, inconstâncias tão peculiares a mais tenra infância, se foram no momento do adeus. A vida adulta é tão diferente, tão estranha, tão mais áspera, tão mais rasa e seca. Diferente daquilo que nos mostram quando somos pequenos, querendo logo ser grandes para desfrutar do sonho que infelizmente vira realidade. Estranha, não se encontram mais os laços nobres que se aprendem na infância, não se é mais cortes, educado, ou mesmo amigo pelo simples fato de sê-lo, o é ou o somos quando nos interessa se não deixa-se estar fenecer, morrer. Áspera, o tato não muda, endurece a sensibilidade que paulatinamente é treinada para tornar da pele um couro, dos pés cascos, e dos ombros suportes onde o mundo irá pesar sem pena, sem mágoa, sem final feliz porque todo final traz consigo o triste. Rasa, as durezas da vida nos põe tão ríspidos que tomamos nosso eu e fazemos de uma imagem o nosso todo, e o todo se perde na imagem daquilo que se apresenta na superfície e passamos um dia por opção a ser rasos e depois o somos por obrigação porque esquecemos o caminho de dentro de nós e assim o caminho do outro. Seca, com o tempo as alterações da vida nos colocam em caminhos onde a diluição de sensações nos chega como remédio para as dores de quem é muito sensível. É um caminho, não o melhor, porém um. Seca pois a adultecência vê tudo ir e ficar o oco, o desenho daquilo que um dia foi, o vão nas areias de mim, na saudade que repousa daquela que foi minha ultima amiga. ... minha ultima amiga. Amanhã o sol nascerá e me dirá que a vida segue, agora adulta, e as alterações da vida se chocam com o paradoxo da estática mudez de um mundo que deixa de ser para não perder, perde por não viver, não vive para não sofrer e sofre porque não viveu. A ultima lição... deixar... ser adulto... minha ultima amiga... ....“Um dia”....

Nenhum comentário:

Postar um comentário