Texto de encerramento das aulas com minha turma de alunos...
“O Brasil não é o país dos nossos sonhos, a política não nos representa, a violência se faz presente em todos os extratos da sociedade, a corrupção não é privilégio de políticos, esta se esconde em cada ato falho do que chamamos de “jeitinho brasileiro”.
Mas outras coisas de fato funcionam como deveriam, a televisão com seus programas de entretenimento, meros intervalos entre a real programação, a propaganda. O jornal cuja mesma reportágem está nos diferentes papéis com diferentes donos, mas as propagandas as mesmas. As escolas públicas que fazem bem o seu papel social de não-educar a massa para que o sistema se mantenha o mesmo.
Esta é uma forma de ver, ou pode-se dizer que este é o país que não tem guerras, catástrofes naturais, xenofobia, preconceito, país de lindas mulheres, carnaval, lindas matas e uma economia em forte ascenção governados por um líder vindo do povo que deu ao povo o melhor de si e fez do Brasil uma grande nação entre as grandes...
E mesmo esta sentença não está errada... são apenas pontos de vista diferentes sobre um mesmo objeto de estudo, nossa realidade social...
Meu papel social, educacional, civil, e ético, foi ensinar, mostrar durante este ano os diferentes pontos de vista, mostrar que uma mesma história tem diferentes fontes, diferentes interpretações e diferentes representações...
Meu papel como professor foi ser um canal entre a matéria da qual me acho imbuído de um parco saber e vocês como participantes também desse processo de educação... com a finalidade de uma boa pontuação numa matéria expecífica, numa prova expecífica, num dia expecífico...
Este texto poderia parar por aqui, se eu me acha-se um simples professor, e se eu achasse vocês simples alunos...
O diferencial nesse caso é que vocês foram alunos de Fernando Barcellos, e a mesma matéria, no nosso caso História, forma na faculdade diferentes pessoas, com suas diferentes interpretações, imbuídos de seus valores.
No nosso caso, não houve da minha parte, uma preparação pura e simples, para uma prova pura e simples...
O que houve foi um processo de aprendizágem de uma turma com seu professor, e de seu professor com sua turma...
História foi apenas o caminho que escolhemos para fazer parte desse processo, e através dela tivemos noções do que de fato é História, de onde veio, para que serve, e como pode ser usada para o bem ou para o mal.
Questionamos o mundo e suas mudanças e debatemos e algumas vezes os erros das história do mundo e nossas ações para mudá-lo, sem nunca chegar a nenhum concenso.
Minha intenção como professor, desta turma, nunca foi de fazer com que vocês tenham a incumbência ou o dever de mudar o mundo, mas minha fé na educação, minha fé nesse longo processo de aprendizágem é que vocês sejam capazes de mudar os seus mundos.
Jamais se pode pretender mudar algo fora de nós se não passamos pelo processo de mudança. E esse processo começa com uma destruição e sua posterior reorganização.
Toda mudança do mundo, começa com a mudança do mundo que há em nós. A minha real fé é que nossas aulas tenham feito com que vocês questionem o seu papel como pessoas, como cidadãos, como seres que fazem parte de do gigante processo da civilização e que saibam qual o seu real papel, que saibam como interpretar o seu mundo e caso seja necessário mudá-lo.
Qualquer mudança gera disturbio...de uma pedra numa superfície de um lago, a uma alteração em nossas vidas... o que importa de fato é o que fazemos com o que temos, fruto dessa mudança...
Os ecos de nossos atos sejam eles grandes ou pequenos, sempre se reverbéram na História ou na história e podem causar cataclismos sem tamanho mudando o curso da História...
Essa é a real menságem que permeou todo o nosso processo, o de fazer-los ciêntes do seu papel enquanto participantes desse gigante processo de civilização.
Num mundo cheio de defeitos, torturado por todos os tipos de mazelas economicas, sociais e morais, só temos duas opções: uma aderir a ele e sermos engrenágem desse processo, ou lutar contra aquilo que não concordamos. Ensinar, da forma como faço é meu grito de não concordancia com o que aí está, é minha forma de estar no mundo, é minha forma de mudar o meu mundo e como extenção dele meus alunos, que mudem comigo ou não, mas que me vejam como alguem que tentou, que me julguem que me achem certo ou errado, mas que se posicionem certos dos cidadaõs que são.
A minha fé repousa no que faço com o que tenho, e o que tenho é minha educação e esta transborda em aulas para as pessoas em quem deposito meu futuro, meus alunos...
Sendo assim meus alunos vocês são o espelho do que virá, os herdeiros das páginas em branco, marcarão o futuro com suas perpectivas...sendo assim minha ultima lição...
• Jamais deleguem poder de forma gratuita, a não ser que queiram...
• Jamais se curvem, a não ser que venerem...
• Jamais deixem de ousar, nisso reside a sua força...
• Jamais sejam arrogantes, o aprendizado pode vir dos mais diferentes lugares...
E acima de tudo...
• Jamais esqueçam que um professor sempre aprende mais com a sua turma do que a turma com seu professor...
Essa é a verdade sem a máscara da ilusão...”
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perfeito...
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