segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Espíritos...

Através das camadas do tempo, mergulhadas nas histórias antigas, pronunciadas, grafadas, esculpidas, escritas, descritas... Profetas, poetas, escribas, monges, os guarda-livros de todas as épocas possuem alguma passagem entre eles... Permeam toda a existência, e se fazer seres inspiradores da vida...

Sua existência nunca foi contestada, nas sua junção... esta sim... a fonte de dramas, lutas, e as mais violentas e paixões...

Mutuamente excludentes, mutuamente atraentes, mutuamente necessários, mutuamente odiosos...

Quando as armas baixam e se olham, o que se experimenta não é nada mais que a morte... A morte de tudo o que os circunda, a morte do mundo e o único foco de luz, a única chama de vida resta em pé a sua frente, olhando, as palavras não são necessárias, pois se sabem únicos... E através do olhar entram-se um no outro e enxergam todo o motivo da existência... Naqueles olhos não há duvida, não há luta mais, não há nada que não lhe seja ele mesmo, o encontro de si no outro...

Espíritos existem antes do tempo, e assim o serão até que o tempo se finde... E tão presente quanto este, o encontro, a amálgama que se forma quando dois diferentes tipos destes se acham...

O espírito antigo: serio, apegado a si, ao que acha, ao que construiu, a suas convicções, não se deixa levar, é como uma pedra na beira de uma queda d'água, inquebrável, verga como bambu, mas resiste como uma montanha. Suas convicções são sua resposta para o mundo que a cada dia critica, equaliza, compreende. O espírito antigo, nasce póstumo, assim preserva hábitos velhos, simples, despido de máscaras, suas maiores alegrias residem na hombridade, e na convicção de que um novo dia trará novas complicações, assim como novas esperanças para que homens se redimam das formas como acharem melhor...

O espírito livre: leve, flutuante, criativo, belo, de uma beleza que transcende seu interior e molda sua superfície. A inteligência rápida é um de seus traços mais marcantes, vaza por seus poros, influencia seus pares, deslancha a criatividade alheia. Não tenta compreender o mundo, aceita-o como é, nutre-se dele, nutre ele consigo, é o próprio alimento da vida, e em si resguarda o carisma que sua liberdade proporciona, livre de amarras, vaga, toca, muda, transforma onde passa e o que toca. Sua liberdade nunca pode ser contida...

A não ser que consinta...por um pequeno tempo...

E neste momento esses dois espíritos fazem a sua experiência...
E se trocam...
Se amam...
Se aprendem ,se prendem e se apreendem...

Essa experiência deixa seus traços por toda a humanidade... sempre achamos pessoas assim, ou as somos ou nos influenciamos nelas... Nas grandes, nas pequenas, nas loucas, nas dispersas, nas mais diferentes culturas e histórias...

Duvida da minha história... relembre os olhos... E você se pergunta "que olhos??"

Apenas feche os olhos e você os verá lá... lá... eternamente lá, nesta nossa vida perene...

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