De fato ele sempre ganha, sedo ele “ele” ou não sedo-o, ele sempre ganha...
Quando olho para fora de mim, me assomam perguntas constantes. Já ouvi que isso se deve a um retardo que possuo, pois estou na idade de certezas, mas a inocência questionadora nunca me abandona ou não amadureço... e as perguntas nunca param, roubam meu sono, roubam minha atenção... roubam meus olhos para fora de mim... talvez achar a resposta ali, escondida, talvez não... independente... sempre perguntas... sempre...
A mais “nova-velha” questão que me assoma não é nem uma pergunta, mas uma constatação... que é “...ele sempre ganha...”.
Pergunto-me... quando pesamos mais que nosso pesos...
Quando não suportamos o andar porque o chão plano vira íngreme...
Quando nos dobramos sobre o ventre tentando aplacar uma dor que não está ali...
Quando os olhos vertem sonhos que não voltam...
Quando sentimos o torpor latente da mente longe e desperta que não nos deixa descansar...
Quando as lágrimas que sorvemos tem gosto amargo do antigo sal de belas praias...
Quando olhamos e não vemos...
Quando sentimos todo o nosso corpo moer e ao mesmo tempo sermos o templo do vazio...
Quando tudo é pesado, escuro, denso, triste, acre...
Quando o zunido que não existe grita no silêncio e rouba os belos sons que antes eram musicas e agora são exasperações de um coração que martela e não pulsa... que trepida e não pulsa, que não bate, não pulsa, um coração que deixa de ser um símbolo para ser músculo...
Quando nos abandonamos, esquecemos nosso amor próprio, nossa segurança, quando aquele do espelho nos olha e nos acha estranho...
Quando as horas se confundem em dias que viram madrugadas e tardes que dão lugar ao sol...
Quando o grito preso na garganta sai e ninguém escuta porque estão todos surdos... ou escutam mas não a você...
...
E quando roubam seu sonho... despedaçam ele... e transformam seu futuro em nada...
Nesse momento demasiadamente humano... metafisicamente humano... dolorosamente humano... como um outro humano pode ter forças para ajudar...? Como outro tão igual a nós em tudo pode ajudar a retirar o peso dos sonhos quebrados de cima de um coração estraçalhado....?
O humano retira a pedra, a chaga, mas... e o que não é palpável...? E o que fica no inexistente presente de nossas mentes...? É a mente doente demasiadamente humana, metafisicamente humana, que cura??? Outro humano...?
Não...
“Ele”...
Nesse momento que a dor não é dizível, palpável, quantificável... no momento em que achamos que vamos morrer e morte não nos leva para um mundo de alívio... neste momento... “ele”... e só aplaca nossas dores...
De forma lenta e permanente... com algo que não pode ser explicado apenas sentido...Seu poder curativo e simples... “ele” criou o remédio indelével do tempo... que destrói qualquer barreira, mesmo a que erguemos quando só o que resta são escombros de dor...
“Ele”... incompreensível, indizível, indelével... mas lá... sempre lá...
Como não se curvar a seu poder... como não reconhecer... a força pura que emana...
Os olhos não vêem, e jamais verão...mas “ele” esta sempre lá...
E na hora que o mundo nos dobra... sempre recorremos... nossa mente abstrata se faz “nele”, o criamos, o vivemos, nos fizemos e somos “nele”... o que é?? Não saberia dizê-lo...
Como negar algo a que recorremos quando somos demasiadamente nós? E não suficientemente nós para nos erguermos sobre nossas pernas...?
Talvez...
Talvez... “seu” eco se estenda pela história da humanidade por conta disso... Em nossa fraqueza “ele”habita... assim como em tudo que somos... Como não recorrer ao que somos... Mas nos somos na hora que recorremos ou há mais...não saberemos jamais...
E mesmo assim “ele” estará lá... porque ele sempre vence.
Mas na hora que você achar que o buraco é muito fundo “ele” estará lá...
Perfeito.
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