Meu tempo...
Me divido entre trabalhos, ou estando neles, ou planejando eles. Me faço muitos, quando leio, pois leio por interesse, por curiosidade, por estudo, por vaidade, por conhecimento e por planejamento; assim livros são diversos um pouco de cada e poucos são os que termino ultimamente. Quando estou em casa, computador me atualizando, baixando, pesquisando, tirando duvidas ou apenas jogando conversa fora. Meu braço sempre tem um relógio para me manter no ritmo, meu celular sempre perto para me acordar e lembrar de meus compromissos. Minha cabeça é um mar que pouco navega em calmarias, sempre longe divagando, planejando, especulando, lembrando, reaprendendo. Meu tempo urge e passa rápido. Dias passam e quando olho a semana já foi o mês, o ano. Daqui a pouco já é natal... Espera mas isso não foi há dois meses? Não já faz quase um ano.
Seu tempo...
Se divide entre acordar e dormir, entre marcar jogos em cartões de loteria, em ler cabeçalhos de jornal quando consegue achar seus óculos.
A marcação do tempo,se faz nas horas em que os remédios em ordem devem ser tomados... o rádio se faz ouvir em toda parte; um triste chiado que reflete o tempo em excesso que passa como areia por um buraco muito apertado.
O arrastar dos chinelos marcam o ritmo lento, do caminho interminável até o banheiro. O banho é lento e a boa vontade tem que ajudar para a barba e o cabelo fazer...
O sonho vaga para sua casa longe... para sua esposa longe... para sua ex-vida longe... assim meditando o tempo se alonga e no espaço de uma semana passa um mês.
O olhar curioso, a mente arguta, presos num corpo cujo tempo cobra seu pedágio, a cada passo, a cada palavra a cada tempo...
Uma vida de esperar...
Como podem tempos tão diferentes dialogarem num espaço que nunca antes existiu ?
Inevitavelmente se chocam, lutam, e como toda contenda, acham o equilíbrio onde há sempre perdas e ganhos...
Meu tempo aprendeu a contemplar o passar do tempo em silêncio ao seu lado...
Meu tempo, aprendeu a esperar seu tempo numa conversa, a esperar sua resposta...
Meu tempo aprendeu a contemplar a beleza que reside na velhice, que não é nada menos que o elo que traçamos com algo que esquecemos em prol de nossa arrogância... sempre dependemos do outro se não hoje, ontem e provavelmente amanhã...
Seu tempo aprendeu a ser mais independente...
Seu tempo aprendeu a ser mais leve...
Seu tempo aprendeu a sorrir onde antes só havia dor...
Seu tempo deixou se infectar pela juventude e seu natural desleixo pelas coisas simples, tirando o peso daquilo que não deve pesar...
Sei que são apenas palavras a esmo... tolas... rasas... medíocres... mas precisavam sair...
Acima de tudo sei que seu sorriso enrugado, careca e com poucos dentes conecta nossos tempos e na troca de olhos entramos na mesma frequência, nos entendemos e fazemos o que tem que ser feito no tempo que precisar seja ele lento ou longo...
Infelizmente eu sei que vou sentir falta disso...
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simplesmente lindo...
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