Lembro da luz, do movimento, lembro de tudo junto, lembro de todo solto...
Lembro dos pares dos díspares, lembro das danças e dos turbilhões...
Lembro os grandes, lembro dos pequenos...
Alguns com formas espaçadas alguns com formas oblongas, outros aglomerados outros só posso intuir, pois uma descrição de suas formas seria impossível por falta das palavras certas...
Lembro das esferas, grandes, concêntricas, algumas vazias, outras cheias, algumas estéreis outras com um potencial enorme para transformações... Nessa época eu existia e não ao mesmo tempo...
Lembro do fogo, das nuvens, das chuvas, dos rios, lagos oceanos, dos pequenos que viraram grandes, dos grandes que viraram enormes, dos enormes que saíram da água, e mais uma vez pequenos se tornaram...
Lembro particularmente dos peludos, e sua capacidade além do animal, de se esconder, de pegar, de interagir, de meditar, de sair de si de imaginar, de se fazer aqui e ali de se inventar de se transformar, de se adaptar de transformar e transformar e transformar...
De gravetos em arcos, de pedras em facas, de peles em roupas ,de óleo em fogo, de metal bruto em lâminas... de átomos em energia. A imensurável capacidade de transformar pensamento em concreto, o abstrato no palpável, sua capacidade de transformar seu animal no racional, seu tribal no social, de transformar o ambiente em SEU ambiente, seja ele qual for.
Os vi perderem os pelos, os vi lutarem, criarem, destruírem muitas vezes um ao outro, ou vi sós, em grupos, formando clãns, cidades, estados, países, impérios, nações, os vi se reinventado, se julgando, convivendo criando devoções, leis, ciências e acima de tudo os vi...
Os vi...
E de forma individual me percebi neles, pois eles assim como eu tem a mesma capacidade de lembrar e de aprender com tudo o que viram, de estudar o que passou e crescerem e assim de desenvolverem, foi graças a sua capacidade de lembrar a cada dia do que são, de onde estão, de qual sua atividade e do que está pela frente. Só firmando-se nas pernas na lembrança toma-se a força necessária para dar sustento ao que virá.
Assim como eu, são feitos de lembranças e nelas guardam a sua experiência.
As guardaram através do tempo de diversas formas, em madeira, em pedras, argila, papiro, tecido, peles, pergaminho, papel, dados...
Eu não guardo nada, eu apenas sou, e em mim eles vivem, em mim se experimentam, em mim crescem, em mim guardam... por aqui vou ficar quando eles se forem, não sei mais se serei quando eles forem, não sei se estarei quando nada mais estiver, mas verei o fim disso eu sei...
Se ainda restar duvidas de quem sou...
Para quem não me adivinhou, repouso no título, nas primeiras letras me escondo...
Texto para inicio das aulas de minha turma do pré 2012...
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somos fragmento desse todo...
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