sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Obrigado minha querida...

":um dos meus maiores sonhos fernando, é um dia chegar a ser pelo menos metade do que vc é hj....como pessoa e professor....Um dia eu quero entra numa sala de aula e ser prestigiado pelo os alunos assim como vc...tudo isso pela sua capacidade de interagir com os alunos ,ter uma visao totalmete diferente do que vem ser propriamente dita "educaçao"..e quando eu alcançar tudo isso,chegarei pra vc e irei te agradecer por ter sido um dos pilares da minha formaçao.por ter sido uma inspiraçao pra nunca desistir de ser PROFESSOR....obrigado por tudo fernando...bjos"

(Depoimento colhido do orkut)

São coisas assim que surgem do nada que fazem a gente rever nossas vidas, olhar pra traz e dizer que valeu a pena... Nos fazemos pessoas enquanto pessoas nas vidas de outras pessoas... É bom saber que não nos encerramos em nos mesmos, deixamos um pouco onde passamos e influenciamos pessoas no bom caminho...

Momentos assim são raros... e me faço sempre grato por ser cúmplice no caminho que as pessoas optam por seguir...

Obrigado minha querida, minha xará...

O lado ruim de crescer...

Diz uma frase senso comum o seguinte “se você ama deixe partir, se voltar é porque te amava de verdade, se não voltar não era amor enfim”... É mais ou menos assim...
Bem o problema é que demoramos uma vida aprendendo a amar, e muitas vezes passamos batido no entendimento de tal sentimento...

Quando simples, novos, obtusos... frases como esta acima fazem muito sentido... Mas com a experiência adquirimos significados diferentes para cada “frase” de nossas vidas... isso é amadurecer... é resignificar, reescrever, remontar... e é justamente essa mudança que não condiz com a condição imutável do amor “infantil”...

Quando se vai, se vai uma pessoa e esta passa por experiências que a refazem, assim como aquele que ficou, e quando de fazem encontro não mais são as mesmas... o reflexo do sentimento é o mesmo, as pessoas não, não há encaixe, não há mais espaço, pois teriam que ser acompanhados por tal alteração, a briga neste caso é fazer o antigo sentimento reconhecer as novas pessoas e neste caso sempre há a morte... ou a morte do sentimento para o surgimento de um novo, ou a morte do elo e a definitiva separação... Processo este que pode ocorrer no encontro ou no exílio...

Crescer é entender que a vida não vem pronta em filmes, livros ou frases de efeito,
crescer é escrever em nossa alma as experiências pelas quais passamos e deixar como reflexo o pouco que entendemos em nossos olhos cansados e nossas rugas presentes...

Crescer é deixar ir sabendo que precisava sê-lo...

Crescer é entender que portas se fecham para que novas abram...

Crescer é aguentar tudo calado... e quando isso te sufocar... deixar isso virar letras e escrever para tirar um pouco disso de si...

Crescer é saber... que as pessoas não voltam...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Da Sarça ao nada...




De todas as cenas desata maravilhosa animação, entre a abertura do mar vermelho sendo fendido em dois, ou mesmo a o ser gigante que mostra sua sombra entre as águas, as pregas, a corridas de bigas, as musicas, roteiro e os lindos cenários... De todas essas cenas, a que posso assistir um sem número de vezes e em todas me emocionar, é a conversa com a sarça ardente...

Me arrepio quando vejo, o espírito criador se fazendo voz humana, se fazendo fogo, se fazendo tátil para que Moisés possa senti-lo... Sentir sua mensagem, sua voz, seu brado de justiça... Menos a mensagem, mais o conato, um entre centenas de milhares, um que pode trocar umas palavras com este que se esconde atrás de nossos olhos, no interior de nossa compleição, este que nos é e nos fez...

A conversa é breve, simples e objetiva, mas há imposição, cuidado, respeito, e amor... para com o pequeno ser que recebe sua incumbência...

E quem nesta gigante Terra não gostaria de ser assim agraciado com este momento, com este sentir, com esta magnífica experiência capaz de mudar as montanhas de nossas almas de lugar... Basta uma idéia deste guia e tudo se faz nada e o nada se faz em toda acepção do fazer...

Mas...

E aí cabe um gigante “mas”, há o momento em que o filme acaba... a emoção passa, a razão retorna e você pensa... “Onde, onde posso eu também escutar essa voz? Seria eu também digno dessa benesse?”.

E as várias religiões aí estão para fazer quem quiser ouvir, o que bem quiser ouvir, travestido de amor, verdade, ajuda e paz. Travestido porque muitas vezes a “verdade” é bem outra.

E após muito tempo depois do filme ter acabado, você está na rua, em pleno natal, pessoas muitas, correndo de um lado para outro cheias de dinheiro nos bolsos correndo de um lado para o outro esperando pelo dia 24-25 para comemorar o amor de Deus que se fez carne para guiar o povo...

Povo...

Mesmo povo que na correria do natal não nota... a criança que está na ponte, com apenas uma camisa cobrindo seu mirrado corpo. Aparenta algo que um dia foi branco, ele é moreno, deve ter uns 9 ou 10 anos, a mão se ergue repetidas vezes e baixa vazia...

As pessoas estão sem dinheiro...

As pessoas estão apressadas...

As pessoas não vêem...

É nesse momento que me pergunto... Será que Deus vê? Será que se faria fogo para afugentar as dores desta criança entre centenas? E quando será isso? Será que ele vê?
Minha educação religiosa passada, me diz que sim, que ele tudo vê... tudo sabe, em tudo está... Mas será que ele vê? Será que sente a minha dor ou ver? Será que sente a fome, a dor, o frio, o desprezo, a falta de amor... Será que ele, isso tudo vê?
É nesse momento que os diálogos não fecham e o que leio ou li não faz o menor sentido...

Não faz nenhum sentido...

E porque não se fazer voz, luz, amor, paz para os que precisam, onde está a mão que toca, acaricia e tira o medo do Vale das Sombras...

Alguma coisa neste gigante contexto está muito errada, ou a leitura ou o criador... ou ainda mais provável o entendimento... Mas isso não saberei jamais...afinal...

Não faz o menor sentido...

Infelizmente...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quem sabe um dia....

Quem sabe um dia....
vire lembrança esquecida nos textos de sua vida

Quem sabe um dia....
eu vire página amarelada nos teus cadernos guardados

Quem sabe um dia....
eu vire pedaço comido por traça

Quem sabe um dia....
eu vire nada e o nada me vire...

Quem sabe um dia....

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Closer to the Edge...



- (...) boa noite com quem falo?
- Você fala com Fernando...
- CPF do senhor por favor...
- Não sou cliente de sua empresa, mas quero conversar com um supervisor seu, porque você não tem poder ou autonomia para atender meu problema...
- Sr. Eu posso atende-lo.
- Não, não pode, gostaria de falar com um supervisor seu.
- Sr. Está em minha alçada atendê-lo.
- Não, não está, gostaria de tratar com seu supervisor...
- Sr. Um momento.
- ok.

(após uns 5 min.)

- Sr.?
- Diga.
- Minha supervisão encontra-se em reunião, mas ela me informou que deixa-se o seu numero que ela fará o retorno ao final da reunião.
- Não, não deixarei meu telefone, e não ficarei esperado uma ligação que não ocorrerá.
- Mas Sr., lhe informei que minha supervisora encontra-se em reunião.
- Esperarei então...
- tudo bem SR!!!

( 17 min. Depois)

- Sr.?
- Diga...
- Minha supervisora ainda se encontra em reunião, ela pediu mais uma vez para que o senhor deixa-se seu numero para um posterior contato.
- Não deixarei meu numero, esperarei a reunião terminar.
- TUDO BEM SR!!!

( mais 25 min depois )

Outra voz, uma voz feminina – Sr?

- Diga.
- Meu nome é (...) e vim lhe informar que a supervisora está em reunião.
- Tudo bem, já tinha dito para o seu colega que iria esperar.
( silêncio )

(28 min. depois )

O primeiro atendente – SR.?
- Diga.
- A reunião não acabou, o senhor não poderia deixar os eu numero para contato?
- Não, não irei deixar o meu numero, vou falar com a sua supervisora hoje. Deixar meu numero para um posterior contato não é uma opção.

(silêncio )

( mais 27 min. )

A supervisora atende – Olá ?
- Olá. É vc a supervisora?
- Sim, chamo-me (...) o que houve?
Explico o problema, ela toma as iniciativas que um atendente não poderia. Meu problema foi resolvido.

Fui educado, simples, claro, objetivo.

Problema resolvido.

Minha mãe entra na história...

- (...) porque vc ligou?
- Porque aquela situação estava me incomodando
- Vc está estressado, não deveria ter ligado, é só uma coisinha besta.

Retomando... Fui educado, simples, claro, objetivo por um problema que estava me incomodando e ao olhos de outros sou chato e estressado, porque faço valer meus direitos... Saio como o errado da história...

Moral da história...é bem mais fácil botar no cu do certo que entender o errado... Entender o errado é mais complicado, porque o errado ta fazendo o “certo” no seu ”direito”, já o “certo” ta fazendo “errado” por estar estressando o “certo”.

Ou mais simples o errado sou sempre eu...Botar no cu deste “ninguém”que sou é mais simples, porque ninguém se importa com o cu de "ninguém". Cada um que cuide do seu mesmo “errado”.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mentiram para vocês...

• Quando disseram que a televisão é diversão para toda a família.
• Quando disseram que futebol e religião não se discutem.
• Quando disseram que jornais informam.
• Quando disseram que cinema é um bom programa para o final de semana.
• Quando disseram que pipoca combina com guaraná.
• Mentiram quando disseram que professores educam.
• Mentiram quando disseram que particulares são melhores que públicas.

Mentiram, porque a mentira embasada na “verdade”, manipula e acumula poder... poder que canalizado, gera controle... Controle que bem guiado gera ordem... Ordem que rege o Sistema... Sistema que não deve ser contestado, transformando mentira em verdade.

Se a vida é um processo em constante mutação, interminável, onde a regra geral é ditada pela mudança e pela transformação, porque optamos por acreditar em verdades prontas, estagnadas, imutáveis. Se há algo que é constante é a inconstância.

Naturalmente somos mudança, de bebes em crianças, em jovens, em adultos, em idosos, em adubo...

Naturalmente somos inocentes, moldados, montados, educados, rebeldes, conformados, senis...

Naturalmente somos alunos a um tempo e professores em outro...

Se tudo a nossa volta muda o tempo todo, porque nos agarramos a “verdades” e julgamos que estas nos definem...? “Esse é meu time”, “Essa é minha religião”, “Sou assim mesmo”, “Esta é minha cidade”, “Esta é minha escolha”. Pensam que se agarrando a determinadas opções estas irão definir-nos.

Mentiram para vocês mais uma vez...

Mas afinal, quando chega a verdade?

A resposta é simples...

• O tempo da verdade chega quando optamos por nos destruir;
• O tempo da verdade chega quando optamos por nos descobrir;
• O tempo da verdade chega quando mudamos de canal ou desligamos a Tv.
• O tempo da verdade chega quando nos fazemos enxergar com nossos olhos;
• O tempo da verdade chega quando procuramos nossas verdades, quando as verdades que nos deram não nos servem mais;

O tempo da verdade nos chega apenas... e muitas vezes não estamos prontos para ela, assim fazemos a escolha entre viver na caverna ou ousar sair dela e pagar o preço por deixar de ser aquilo que éramos e lutar para não sermos mortos por nossos irmãos...

• A mentira consola... a verdade corrompe;
• A mentira sopra... a verdade machuca;
• A mentira forra o caminho por onde andamos... a verdade nos é insuportável
• A mentira exala um doce perfume... a verdade é uma merda.

A vida pode ser um imaculado apanhado de mentiras, ou um poço doloroso de verdade...

• Seus pais mentem;
• seus amigos mentem;
• seu chefe mente;
• seu namorado(a) mente;
• seu professor mente;
• o contexto social do que fazemos parte mente;

Mas as vezes também falam verdades...

Achar o filtro que nos diz o que é um e o que é outro é a tarefa do real comprometimento com a educação a qual me proponho enquanto educador. Não ensinar o que são verdades ou mentiras, mas minha tarefa é mostrá-los, ensiná-los, educá-los no sentido em que se saibam iludidos e que se saibam detentores do poder de enxergar. Só somos enganados quando delegamos poder, quando nos deixamos enganar, quando deixamos que outros nos digam o que é certo. Minha tarefa é mostrar que só somos vítimas enquanto queremos, só somos fracos enquanto queremos, só somos ignorantes por opção.

História é um apanhado de uma série de mentiras por nos inventadas para assim inventar verdades que possamos entender, que possamos julgar, quantificar, medir, justificar. História é uma mentira com critério. História é uma mentira científica.

História é uma forma de analisar o mundo, e através de suas leituras nos reescrevemos enquanto frutos de suas mentiras e verdades, para assim termos as armas para poder compreender nosso presente, nos compreender como pessoas, enxergar as mentiras do mundo pelo prisma das “verdades” que optamos por acreditar.