De todas as cenas desata maravilhosa animação, entre a abertura do mar vermelho sendo fendido em dois, ou mesmo a o ser gigante que mostra sua sombra entre as águas, as pregas, a corridas de bigas, as musicas, roteiro e os lindos cenários... De todas essas cenas, a que posso assistir um sem número de vezes e em todas me emocionar, é a conversa com a sarça ardente...
Me arrepio quando vejo, o espírito criador se fazendo voz humana, se fazendo fogo, se fazendo tátil para que Moisés possa senti-lo... Sentir sua mensagem, sua voz, seu brado de justiça... Menos a mensagem, mais o conato, um entre centenas de milhares, um que pode trocar umas palavras com este que se esconde atrás de nossos olhos, no interior de nossa compleição, este que nos é e nos fez...
A conversa é breve, simples e objetiva, mas há imposição, cuidado, respeito, e amor... para com o pequeno ser que recebe sua incumbência...
E quem nesta gigante Terra não gostaria de ser assim agraciado com este momento, com este sentir, com esta magnífica experiência capaz de mudar as montanhas de nossas almas de lugar... Basta uma idéia deste guia e tudo se faz nada e o nada se faz em toda acepção do fazer...
Mas...
E aí cabe um gigante “mas”, há o momento em que o filme acaba... a emoção passa, a razão retorna e você pensa... “Onde, onde posso eu também escutar essa voz? Seria eu também digno dessa benesse?”.
E as várias religiões aí estão para fazer quem quiser ouvir, o que bem quiser ouvir, travestido de amor, verdade, ajuda e paz. Travestido porque muitas vezes a “verdade” é bem outra.
E após muito tempo depois do filme ter acabado, você está na rua, em pleno natal, pessoas muitas, correndo de um lado para outro cheias de dinheiro nos bolsos correndo de um lado para o outro esperando pelo dia 24-25 para comemorar o amor de Deus que se fez carne para guiar o povo...
Povo...
Mesmo povo que na correria do natal não nota... a criança que está na ponte, com apenas uma camisa cobrindo seu mirrado corpo. Aparenta algo que um dia foi branco, ele é moreno, deve ter uns 9 ou 10 anos, a mão se ergue repetidas vezes e baixa vazia...
As pessoas estão sem dinheiro...
As pessoas estão apressadas...
As pessoas não vêem...
É nesse momento que me pergunto... Será que Deus vê? Será que se faria fogo para afugentar as dores desta criança entre centenas? E quando será isso? Será que ele vê?
Minha educação religiosa passada, me diz que sim, que ele tudo vê... tudo sabe, em tudo está... Mas será que ele vê? Será que sente a minha dor ou ver? Será que sente a fome, a dor, o frio, o desprezo, a falta de amor... Será que ele, isso tudo vê?
É nesse momento que os diálogos não fecham e o que leio ou li não faz o menor sentido...
Não faz nenhum sentido...
E porque não se fazer voz, luz, amor, paz para os que precisam, onde está a mão que toca, acaricia e tira o medo do Vale das Sombras...
Alguma coisa neste gigante contexto está muito errada, ou a leitura ou o criador... ou ainda mais provável o entendimento... Mas isso não saberei jamais...afinal...
Não faz o menor sentido...
Infelizmente...
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