
O soco não dado...
O grito que ficou preso...
A lágrima que não foi derramada...
E o ódio reteso...
A dor que ficou trancada...
No coração de paredes laceradas...
Teima em vazar pelos lados...
Da arquitetura por deus preparada...
O que foi, não é mais...
Mas aqui ainda reside...
O grito de dor lacinante...
Que não saiu e está triste...
E me invade e me toma...
E me leva e retorna...
E me cria uma redoma
De agonia dor e lama...
Lutar é preciso, cada dia que levanto...
Mas o peso é presente...
Mesmo quando tento o canto...
A voz sai rouca e desmedida...
Lenta e doída...
Mesmo assim ainda tento...
Mesmo abrindo-me a ferida...
Cada vaso, cada treva...
Cada canto, cada célula...
Cada jeito, cada canto...
Cada momento, cada tanto...
Mesmo assim é fraco o meu canto...
E meu sofrimento é deveras...
A dor real que se tem de uma luta perante as trevas...
Que a dor me tome, e faça de mim sua morada...
Deixo-te como recado um pouco de minha amanda...
Da qual nada mais há se não um pouco de pensamento...
Que vai com tempo nas minhas asas enamoradas...
Escrevo porque desisto...
Desisto porque canso...
Canso porque chaga...
Chaga sem o canto...
Canto sem o dono...
Dono sem mais nem o pranto...
Canso simplesmente porque canso...
(Texto feito a muito, muito tempo, tanto que o tempo se esqueceu de tudo das letras significados e substância ... Esquecido dos porões eletronicos... achado muito por acaso, mas que não perdeu sua beleza com o tempo...)
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