sexta-feira, 22 de abril de 2011

The Road



O que é a arte??

Recorrendo a manuais didáticos, as interpretações mais diversas são colocadas, dependendo de quem escreve, dependendo de que “arte”, dependendo de que recorte temporal, geográfico ou mesmo subjetivo.

Meu senso comum o define simplesmente como uma forma de expressão, um olhar singular, a recriação ou a criação de contextos sob os mais diversos pontos de vista. Arte é deixar sair, é comunicar, é a intenção de se fazer representar aquilo que corrompe a superfície do ego e rasga a pele do comum para mostrar o comum de forma incomum... Arte é uma forma de ler o mundo ou de escrever o mundo ou no mundo...

Mas porque esses pensamentos me ocorrem...

Só escrevo quando me sinto incomodado com algo, quando sinto que algo tira a minha estabilidade, sendo assim sou um escritor “desequilibrado” sempre que me faço a “pena”...

O que me pôs a “pena”, ou que tirou meu equilíbrio foi o fato de ter assistido dois filmes de ficção científica num mesmo dia...

Ambos são expressões de arte, a cinematográfica... ambos americanos... ambos feitos com a intenção de entreter o cidadão e fazer entrar dinheiro no bolso dos acionistas...

Minha intenção não é fazer uma comparação(já fazendo ) mas apenas notei como podemos ser tocados de diferentes formas de arte e sentirmos o vazio ou o fazer por fazer para ganhar dinheiro ou quando sentimos o premente cutucar que só uma boa obra de arte pode fazer...

Hoje fui tocado por um filme que na época de seu lançamento, 2009, não foi muito divulgado por aqui, a crítica não se estendeu muito sobre ele... e o assisti mais de chatice do que por qualquer coisa, pois é até um filme complicado de se achar numa boa qualidade na internet.

The Road, uma história pós-apocalitica, que mostra a pior face do ser humano contra ela mesma... É um filme que transita no território do “e se”. No caso do filme especificamente, “ e se a Guerra Fria de fato tivesse desencadeado uma guerra nuclear...” como seria a vida? O que restaria da Terra? O que restaria do ser humano? E o que é um ser que vive sem uma sociedade, mergulhado na barbárie da sobrevivência a qualquer custo? Onde fica o amor, respeito, carinho, fé ? Onde fica Deus neste caos?

É um filme denso... incomoda... é perturbador e mostra o “comum” sob um ponto de vista que acho que é o que deve ser o papel do arte... nos tirando do comum para ver o comum sob outros aspectos e assim refletirmos sobre nos mesmos enquanto pessoas, enquanto subjetivos, enquanto irmãos de jornada, enquanto cidadãos do mundo...

É a nossa vez e o que fizermos com nosso presente será o nosso legado...

Perturbador e necessário assim como entendo que a arte deva ser...

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