quinta-feira, 22 de novembro de 2012

domingo, 28 de outubro de 2012

Que a ironia flua e me passe e me deixe para ganhar nova vida e virar outra coisa, bela, viva e pulsante...

Esvaziar a mente deixar as vozes irem como ondas, em suas próprias ondas, me abandonando de mim, me levando de mim minhas críticas e meus julgamentos tão meus e tão massacrantes. Me faço letras para que o som se faça longe assim me deixe o valoroso silêncio que me faz produzir e ser e não viver no território do “deveria”. Hoje as vozes fixaram, estão aqui e só vão me deixar quando eu as libertar. A experiência é por vezes uma dor cotidiana, uma repetência de fatos, uma defesa para alguns, um escudo para outros, e em sua mais primal função, uma lembrança de algo que nos faz crescer no ato de estimular o que nos fez bem e repudiar o que aniquilou uma parte pura ou ainda intocada pela dor do viver, ou de “com alguém viver”. Já experimentei um nível de sensações e de amores e dores, paixões, prazeres e desprazeres que já experimento nesta tenra idade o repetir de muitas dessas experiências. Não saberia dizer se pelo fato de atrair pessoas de um mesmo padrão ou talvez pelo simples motivo de não haverem tantos padrões assim. Já vi esse sorriso, já ouvi seu som, já senti o olhar e hoje percebo as mudanças de um sorriso falso, um som maquiado e um olhar que antes fixo agora vago pois há coisas mais importantes e pior de tudo sinto os argumentos vindo em ironias... Ironias.... o tom que traz uma mentira ocultada numa verdade, ou seria uma verdade ocultada no que nada mais existe??? Se toda a verdade me vem agora através disso, significa que o que antes nos era verdade, hj é apenas um sorriso torto sem significado. Se hoje as palavras são usadas nesse sentido de não dizer nada e fazer da galhofa o argumento, sinto, e deixo a experiência seguir daqui em diante. Ela me diz que disso não surge mais nada. Ela me diz que o que havia esta morto. Ela me diz que esse espectro de contato é apenas uma parte quebrada de uma verdade que não mais existe. Então que este sentimento flua, siga, e se desfaça. Que encontre outro para sorrir, conversar, e olhar. Que suas verdades as sejam para o novo assim como me eram. E que o verdadeiro sentimento encontrem boas palavras para outro, pois para mim entendo, apenas o nada se faz presente. E que assim fluam também meus pensamentos e me afastem da tortura da lembrança e da saudade...

Enfim é louco isso.

Algumas coisas são mesmo irônicas em minha vida. Uma grande parte das pessoas não faz a menor ideia do que se passa aqui dentro, principalmente meus alunos. Acho muito engraçado quando ressaltam como sou espontâneo, engraçado, ou mesmo inteligente. A pessoa que está por trás é tão diferente, tão mais pra dentro, tão mais simples, tão menor do que as pessoas acham. Eu não me vejo como a maioria das pessoas me vê, e não sei se são pessoas iludidas ou se faço isso com elas sem propósito, ou mesmo se faço propositadamente, se assim o faço não sei o pq... enfim é louco isso.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Não mais um fundo negro...(Refeito( Apenasmente negro))

Neste espaço havia um texto... com uma proposta, mas... não mais do que em alguns minutos a vida me mostrou que o negro que faz o fundo dessa tela, me é tal qual a pele que uso e vai para onde eu for...e as palavras antes fugazes e vaporosas tão firmes quanto um graveto se quebraram ao ler a mais singela frase... o negro me é apenas.

sábado, 11 de agosto de 2012

...quando...

Amores são para sempre, paixões são eternas, amizades para a vida inteira, e então entre o devaneio, no meio do sonho, com o doce ainda na boca... tudo acaba. Mas onde ficam o sempre, o eterno e o para sempre? Ficam esmagados sob algo que costumamos chamar de maturidade...Hoje entendo porque há o saudosismo da infância, de fato sempre, eterno e inteiro existem, num espaço de tempo expecífico que não transcentem o eterno, passam ilesos apenas por alguns anos da mais tenra infancia. Então não faça essa cara para mim quando eu te jogar o óbvio na cara, tudo acaba, mesmo eu e vc... a grande diferença reside numa palavra do mundo adulto ...quando ............................... .....................................................................................................................................................................................................................................................................

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

tô nem aí...

Hoje cheguei a conclusão de que palavras repetidas de fato não servem, porque você as usa, na imaginação de que não as usará novamente e usa, usa, usa indefinidamente num exercício cíclico que não tem fim... Acho que a teleologia é linda mas certos estavam os gregos, tudo é cíclico, da história as pessoas, com certas revoluções forma-se círculos concêntricos que nos formam mas nunca fora de nossa forma redonda e impenetrável... Peço demissão das palavras... esforço em vão levar o que acho aos outros.... pois agora que se fodam e aprendam com meu silêncio e se não quiserem fodam-se também, de fato, tô nem aí...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Novos ares...começando tudo novamente... ainda bem...

Menos um... ontem foi o ultimo dia de menos um stress na minha vida. Acabaram-se pessoas falsas, mau preparadas, encontros, sorrisos falsos, trabalho leso e sem sentido... Ontem caiu um saco de tijolos que estava amarrado em meus ombros. Foi importante como toda lembrança ruim o é. Uma vez para nunca mais. Mas essa uma vez sempre se reveste de diferenças. Vida nova, novos locais, pessoas, sonhos e expectativas... novas possibilidades de experimentar o bom e o ruim, pelo menos são novos, há ainda a chance se ser algo bom... estava cansado de saber ter que viver o ruim... Novos ares...começando tudo novamente... ainda bem...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

... minha ultima amiga...

Engraçado como para mim escrever não vem dos dedos, se houver uma alma, minhas letras vem de lá. Só quando sinto o trepidar daquilo que não me é consciente é que transbordam por meus dedos letras confusas tentado a ordem entre o caos. Talvez assim se faça ordem, talvez assim se faça paz, talvez assim eu me cale novamente, talvez assim a voz de dentro não se ouça, e talvez seja um esforço totalmente inútil me sufocar tanto ao ponto de sentir o sufocar consciente daquilo que não deveria sentir. Hoje vejo que quando você foi, quebrou-se o ultimo elo que me prendia ainda a doce-amarga infância, os sonhos, projeções, duvidas, inconstâncias tão peculiares a mais tenra infância, se foram no momento do adeus. A vida adulta é tão diferente, tão estranha, tão mais áspera, tão mais rasa e seca. Diferente daquilo que nos mostram quando somos pequenos, querendo logo ser grandes para desfrutar do sonho que infelizmente vira realidade. Estranha, não se encontram mais os laços nobres que se aprendem na infância, não se é mais cortes, educado, ou mesmo amigo pelo simples fato de sê-lo, o é ou o somos quando nos interessa se não deixa-se estar fenecer, morrer. Áspera, o tato não muda, endurece a sensibilidade que paulatinamente é treinada para tornar da pele um couro, dos pés cascos, e dos ombros suportes onde o mundo irá pesar sem pena, sem mágoa, sem final feliz porque todo final traz consigo o triste. Rasa, as durezas da vida nos põe tão ríspidos que tomamos nosso eu e fazemos de uma imagem o nosso todo, e o todo se perde na imagem daquilo que se apresenta na superfície e passamos um dia por opção a ser rasos e depois o somos por obrigação porque esquecemos o caminho de dentro de nós e assim o caminho do outro. Seca, com o tempo as alterações da vida nos colocam em caminhos onde a diluição de sensações nos chega como remédio para as dores de quem é muito sensível. É um caminho, não o melhor, porém um. Seca pois a adultecência vê tudo ir e ficar o oco, o desenho daquilo que um dia foi, o vão nas areias de mim, na saudade que repousa daquela que foi minha ultima amiga. ... minha ultima amiga. Amanhã o sol nascerá e me dirá que a vida segue, agora adulta, e as alterações da vida se chocam com o paradoxo da estática mudez de um mundo que deixa de ser para não perder, perde por não viver, não vive para não sofrer e sofre porque não viveu. A ultima lição... deixar... ser adulto... minha ultima amiga... ....“Um dia”....

terça-feira, 26 de junho de 2012

Divagando num "momento" rápido

Faz tempo que não escrevo, faz de fato muito tempo... As palavras não escorrem mais porque estou um tanto entorpecido, apenas fazendo, apenas indo, apenas sendo, e não sentindo. Sentir as vezes é tão difícil... e sentir é algo tão natural em mim. Ver, ouvir, tocar, para mim são contemplar, fazer-me som, me deleitar... mas em mim é tão profundo tudo, tão visceral, que ultimamente tenho optado por não mais descer em mim, por não mais me deixar tocar de dentro, por não mais me emocionar com o pouco e ser apenas o que o sistema quer que eu seja... Assim a vida se alonga, os dias passam ligeiros, a vida se esvai e as vezes o espelho me chama e só assim percebo que o tempo passou e nessa hora sinto falta de ser mais denso, assim ser mais lento, assim mais contemplativo, assim mais observador. Passo meu tempo a fugir de mim e isso é estranho e é tão "eu". Não vou me acostumar a isso, mas a diferença é que isso não me incomoda mais. Talvez se dizer maduro, seja apenas se tornar mais insensível e até nisso há beleza. Para mim pelo menos. Ser superfície afeta minhas palavras. Já notei. Elas me vem com lentidão quando estou mais rápido no meu eu. Já quando denso e pesado acho que navego em palavras e significados... Pena que eu não tenho o controle remoto para me colocar no modo "certo" sempre que estou nos "momentos" errados.

domingo, 3 de junho de 2012

Saudade...? Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaooo...

As vezes ponho-me a pensar no quão sozinho ando ultimamente... Sempre cercado de pessoas, família, “amigos”, colegas, alunos, mas... o ser humano é algo intragável as vezes, mesquinho, rude, grosso, egoísta, raivoso, violento... Vejo tanto isso e tão perto de mim... Já passei da fase de achar que eram essas “pessoas” especificamente, mas que outras não seriam assim. Me enganei. Todas as pessoas tem propensão para isso. Todas. Hoje mesmo cercado de pessoas antigas e velhas vejo os mesmos padrões se repetindo, sempre numa ciclicidade que enjoa de verdade. Já vejo onde vai dar, que reações vai ter, que caminho vai seguir. Aí é quando me pergunto... como posso sentir falta disso? É simples sinto saudade da minha ignorância, de ser de fato obtuso e cego, saudade da pureza infantil que a vida leva embora, saudade da religiosidade confortante, saudade de ser um imbecil crente e feliz... Mas isso não vai voltar nunca mais... e quando penso nisso... me dá um alivio enorme... Caminharei só, mas certo de que o faço por opção da qual os outros não me deixaram opção, mostraram mais do que deveriam e vi além do limite... não dá mais... ...ainda bem.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O culto oculto

Esse texto resulta de mais um tentativa frustrada de querer dormir e não poder, já que minha cabeça não permite. Faz tanto tempo que não me ponho a escrever por aqui, que acho talvez fique uma bosta esse texto, mas olhando os anteriores, percebo que se ficar ruim, será como tantos outros aí já postados, então não fará diferença alguma. O título desse texto me veio a cabeça e ficou-me martelando o juízo até que tive que vazar isso dedos a fora... Mas porque “o culto oculto”? Simples... como todas as coisas que escrevo, as vezes olho para minha estante de livros, olho para os colegas que tenho e tive, reviso conversas e muitas vezes me coloco no papel daquele que sabe mais ou que tem uma melhor visão sobre esses ou outros assuntos, sejam eles de cunho subjetivo ou cotidiano. Sou o culto, o esperto, o “diferente”, o que sabe. Sou o tolo na verdade, porque sou tão culto que sou oculto. Isso faz sentido? Partindo do pressuposto que pessoas cultas são referenciais, não, não faz sentido, pois não sou nenhum referencial, por isso mesmo que não sou culto, ou mesmo sou, mas como minha cultura representa apenas o muito que sei sobre pouco do mundo, esta se torna algo ínfimo. A maior prova disso é que sou oculto. Nada disso me transcende, infecta, ajuda, cria, interfere, meche. Então como posso me achar culto? Pois é nesses momentos de epifania ao contrário, percebo que esse rótulo não me cabe em nenhuma esfera. É nesses momentos que vejo meu real tamanho, real influência, real relevância... que resulta como isto que faço agora, palavras a esmo jogadas na tela, no intento apenas de me reconhecer como a simples pessoa que sou e assim deixar que o bom sono me leve em seus braços e que a cobrança de ser muito não toque a cabeça torpe deste que é tão pouco.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

De volta para mim...

Olho meus livros, olho-os, e são tantos, tantas viagens, tantos caminhos, tanta cultura, e nem são tantos assim, mas quando olho-os acho-os muitos... e vendo-os, sabendo meus, sabendo lidos (ao menos a maioria), percebo, torno-me cônscio da inutilidade de tal esforço... ainda sou um tolo... Talvez entre os tolos o melhor deles... o que mais se destaca, o mais bobo... certamente e cada vez que olho para meus livros percebo o deboche que fazem de minha cara... Sua cultura não é minha, mas nas mãos de pessoas realmente habilidosas fazem um espetáculo... que nunca fiz... não me sei capaz de tal, não fiz capaz tal ato...

Escuto coisas, vem a meus ouvidos coisas de pessoas ingênuas, dizendo-me isso ou aquilo... Sei-me um bom enrolão, um rufião, um engodo, algo que deveria mas não foi... sei-me um enganador... a cultura zomba da minha cara, quando mais tento fazê-la meu par, mais se afasta apenas para me dizer de longe que jamais serei seu íntimo...

Mas pelo menos talvez eu seja um bom enrolão, um perfeito engodo... Hoje sinto-me tolo...

Talvez o tolo seja um feliz por não saber-se tolo... minha ansia de saber esbarra no real saber e na hora de me esconder minha tolice, esta é a única que se faz presente sem acordo, sem máscara, sem adjetivos...

“As pessoas não mudam...” vejo o espelho gritando-me minha frase na minha cara...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Palavras que nada dizem, porém dizem...nada dizendo...

Hoje existe um oco que nada está preenchendo...

Hoje tudo soa ao longe como se não fizesse parte de mim...

Um hoje de muitos ontens tão iguais a hojes assim...

Um hoje tão igual a muitos tantos, cores sem cores, nada de cheiros, nada de flores...

Apenas as cores sem cores...

Tudo passa meio borrado, e sinto-me anestesiado...

Anestesia que não seca mesmo quando seco o copo...

Continuo cheio do oco, vazio do cheio, cheio de muito e muito sem cores, cheiros e flores...

Meus passos apenas levam-me até a próxima esticada de perna, muitas vezes é tudo que vejo...

... do pouco que enxergo...

Hoje difícil, sei apenas que muitos virão e sempre pode piorar...

... e por hoje até minhas letras secaram...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

isso ainda vai virar um texto...

"Deus criou o homem, e assim passou a existir."

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Tantos Eons Mas Posto-me Oculto

Lembro da luz, do movimento, lembro de tudo junto, lembro de todo solto...

Lembro dos pares dos díspares, lembro das danças e dos turbilhões...

Lembro os grandes, lembro dos pequenos...

Alguns com formas espaçadas alguns com formas oblongas, outros aglomerados outros só posso intuir, pois uma descrição de suas formas seria impossível por falta das palavras certas...

Lembro das esferas, grandes, concêntricas, algumas vazias, outras cheias, algumas estéreis outras com um potencial enorme para transformações... Nessa época eu existia e não ao mesmo tempo...

Lembro do fogo, das nuvens, das chuvas, dos rios, lagos oceanos, dos pequenos que viraram grandes, dos grandes que viraram enormes, dos enormes que saíram da água, e mais uma vez pequenos se tornaram...

Lembro particularmente dos peludos, e sua capacidade além do animal, de se esconder, de pegar, de interagir, de meditar, de sair de si de imaginar, de se fazer aqui e ali de se inventar de se transformar, de se adaptar de transformar e transformar e transformar...

De gravetos em arcos, de pedras em facas, de peles em roupas ,de óleo em fogo, de metal bruto em lâminas... de átomos em energia. A imensurável capacidade de transformar pensamento em concreto, o abstrato no palpável, sua capacidade de transformar seu animal no racional, seu tribal no social, de transformar o ambiente em SEU ambiente, seja ele qual for.

Os vi perderem os pelos, os vi lutarem, criarem, destruírem muitas vezes um ao outro, ou vi sós, em grupos, formando clãns, cidades, estados, países, impérios, nações, os vi se reinventado, se julgando, convivendo criando devoções, leis, ciências e acima de tudo os vi...

Os vi...

E de forma individual me percebi neles, pois eles assim como eu tem a mesma capacidade de lembrar e de aprender com tudo o que viram, de estudar o que passou e crescerem e assim de desenvolverem, foi graças a sua capacidade de lembrar a cada dia do que são, de onde estão, de qual sua atividade e do que está pela frente. Só firmando-se nas pernas na lembrança toma-se a força necessária para dar sustento ao que virá.

Assim como eu, são feitos de lembranças e nelas guardam a sua experiência.

As guardaram através do tempo de diversas formas, em madeira, em pedras, argila, papiro, tecido, peles, pergaminho, papel, dados...

Eu não guardo nada, eu apenas sou, e em mim eles vivem, em mim se experimentam, em mim crescem, em mim guardam... por aqui vou ficar quando eles se forem, não sei mais se serei quando eles forem, não sei se estarei quando nada mais estiver, mas verei o fim disso eu sei...

Se ainda restar duvidas de quem sou...

Para quem não me adivinhou, repouso no título, nas primeiras letras me escondo...


Texto para inicio das aulas de minha turma do pré 2012...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tudo cinza...

Hoje andei pela cidade fantasma, e passei por toda a história de ruas, prédios, praças, pontos de ônibus, escolas, museus, lojas... Todas vazias, todas na espera de um tempo que nunca voltará, tempo em que tudo fazia sentido, tempo em que todas as respostas não eram necessárias, pois a paz sanava a cabeça e a paz se fazia de uma forma que nunca mais será. Será?

Tantos cantos cinzas, borrados, portadores dos pedaços de historia que a mente teima em manter vivos...

Foi quando percebi que a cidade cabia em mim ou eu mesmo era a cidade ou ... eu era o fantasma, preso a um tempo que não era mais meu, e então as cores voltaram, o borrado ficou claro e comecei a ficar cinza e borrado...

Exupéry hoje me pareceu estranho...

Do céu de minha janela, me peguei pensando em Exupéry, e em como sua frase me pareceu estranha esta manha. Em como dois mundos diferentes podem fazer parte do mesmo universo, em como somos crianças e adultos e as coisas mudam sem mudar ou se transformam e permanecem as mesmas... “Somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos...” Como sempre? Sempre não faz parte do nosso contexto, tudo muda, passa, se transforma, o mundo, a tecnologia, nossos corpos, pensamentos e sentimentos. Então como podemos ser responsáveis atemporalmente por algo que afirmamos? Para uma criança com seu melhor amigo faz sentido sendo assim é verdade, para o adolescente com suas fortes emoções, mas para o adulto não. Não podemos responder pelas nossas frases infantis, pelos arroubos adolescentes, porque não somos mais aquelas pessoas. Não somos mais aquelas frases, há outro no lugar com outros valores, símbolos e vivências. Não, não somos eternamente responsáveis porque só ao adultecer, percebo que nada dura para sempre (exceto ) que assim eu o queira e aí reside toda a diferença, o meu querer. Hoje eu escreveria como “Somos diariamente responsáveis por cativar aquilo que queremos conosco”. Um sorriso, uma idéia, uma conversa, uma saída, uma balada, uma dança, qualquer coisa que seja novo, que mantenha o interesse, o elo, o vínculo e quando não isso tudo, um telefonema basta, mas nada se disca sozinho, tem que se querer. Nada se mantém por simples manter, nada se sustenta sem a novidade, sem a diferença, sem a inovação. O sempre não existe o que existe é um hoje constante.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Hoje as palavras não são minhas amigas...

Hoje as palavras não são minhas amigas, escorrem por meus dedos como arreia que tento reter, junto com um pouco de mim que também escorre e se esvai pelo ralo de mim...

Ou nas palavras de Renato “vem de repente um anjo triste perto de mim” e me faz companhia, ouve o teclar de meus dedos, espreita por meu ombro para ver se falo dele. Só ele é meu companheiro, e talvez esteja triste e isso de alguma forma irradie para mim, vem como ondas e ondas e ondas e ondas. Me toma de surpresa leva meus pensamentos para o abismo de mim e deixa o peso se apossar de meu corpo me puxando para o chão, para a cama, para laconidade, me puxa para mim que sou tão meu que não sou mais de ninguém, nem de mim mesmo e é nesse tempo que me tenho saudade do mim que sorri e que agora tão distante vaga longe daqui...

Hj a noite anjo, somos só vc e eu, vc no seu silêncio eu no meu teclar, no meu vagar, no meu pesar... esta noite vai demorar a passar... Fico na companhia ensurdecedora do silêncio que me toma nesses momentos...

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... hj as palavras não são minhas amigas...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O pássaro, o elefante e a Boa Vista

Certa vez me contaram a história da ave que pegava água no bico para apagar o incêndio na floresta e do elefante que corria para salvar sua vida... cuja mensagem é, pelo menos estou fazendo a minha parte.

Hoje vejo o inconveniente de histórias assim, porque a ave jamais apagou aquele incêndio e o elefante refez a sua vida e outro lugar... essa parte não me contaram, tive que deduzir.

Mas o crítico diz, mas se cada um fizesse a sua parte... fato as pessoas sempre fazem a sua parte, só que no intento de seus umbigos... assim as florestas queimam, os pássaros morrem e os elefantes gozam... é assim a pequena história com a moral invertida, é assim a vida, é assim a história.

O que vi na boa vista foram pássaros queimando e a floresta que desapareceu, nisso não há mérito, heroísmo, ou glória, porque na vida não se há mérito em derrotas, sinto informar, a passagem não vai baixar por mais que os pássaros morram, por mais que a floresta queime... os elefantes querem é gozar...

Talvez um dia chegue em que os elefantes voltem, e ajudem, mas para quem estuda o ontem, esse amanhã não faz parte desta nação de vacas... E acho que nunca vou poder contar a historia original para o meu filho, exceto que tenha na capa explicito que se trata de uma ficção moral... E essa ficção jamais será realidade sem os elefantes... aliás, jamais será realidade de forma alguma... o passado não me permite ver esse futuro...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Acho que começo a me tornar de fato Noctívago...

Algumas pessoas dizem que sou anti-social...

Porque não gosto de fazer social pra minha familia...

Porque não saio pra beber...

Porque não curto algomerações...

Porque sou de conversar poruco sobre o tempo, BBB, novelas, ou vizinhos...

Porque me dou bem com meu silêncio...

Porque passo horas do meu dia agarrado no notebook ou lendo...e muitas vezes lendo no note...

Porque tenho papos chatos, política, economia, filosofia, metafísica, história, educação, saúde...
Se bem que com esses papos quando tenho ouvintes sou mais chato do que anti-social.

Bem... quando paro e leio tudo isso... é de fato sou anti-social... não sei se isso é bom ou ruim... as vezes me sinto só é verdade, mas quando tento curar isso ao lado de alguem cuja companhia me incita assuntos triviais, sinto uma vontade enorme de ficar sozinho novamente... é estranho.

Talvez por isso a filmes, livros e pensamentos tenham sido meus mais próximos...Minha fome por informação cresce a medida que tento me reconectar com as pessoas...
Sou mais intelectual, inteligente, líder ou bem sucedido por causa disso..? Não. Nem um pouco. O efeito disso é que me distancio cada vez mais...

A madrugada virou meu pano de fundo para momentos de silêncio, contenplação, idéias, textos, filmes e livros...Minha estante me olha, se oferece, virou minha fornecedora de dados e eu seu decodificador, olho-a e me perco, me acho, me sou só, me sinto só, e me lembro das companhias poucas que me deixaram só, que me deixam só. Sou responsável por meu caminho, sei disso, mas não o fiz inteiramente só, apenas este está se mostrando meu... Não sei se feliz ou infelizmente...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Palavras a esmo...

Quando você se vai, eu fico...
Quando você se vai, eu grito...
Quando você se vai, me agito...
Tudo isso num canto encolhido.

Fico com tudo que era;
e agora não é mais.
Tudo parece o mesmo...
Mas o mesmo não me apraz.
O mesmo foi tocado pelo outro;
tornou o outro parte do mesmo;
e o mesmo, não mais é o mesmo..
...Apenas outro, mas vejo o mesmo.

Você escolhe o que faz;
decide o caminho.
Toma as rédeas do destino;
escolhe roubar minha paz.

Assim vejo... assim é a vida
As vezes insensível, as vezes sentida,
As vezes caótica muito fora da medida...
As vezes, simplesmente assim, sem saída.

Aceita o que te escolhem.
Cala as boas palavras...
As ruins por mais que rolem...
Não encontram mais a quem se arrole...

Então... aceita o que te escolhem.