segunda-feira, 7 de junho de 2010

“caldinho de peixe podre?”

Chegando a Livraria Cultura....

Andando desde o Cinema São Luiz, atravessando a ponte (sei lá que nome) admirando os prédios, a Faculdade Maurício de Nassau com seu “mimetizante” tom róseo-violeta, a sujeira, os livros no chão, os cheiros, as flores, pessoas, pessoas, pessoas, sábado de manhã, os livros do sebo, “Não, não tem esse”, “Não, não tenho galego”, “Pow, vendi semana passada”, passos, pessoas, prédios, sujeira, ando, ando, ando, mais uma ponte... cheio de mar??? Cadê o cheiro de mar??
Cheiro de peixe, morto, muito forte, penso “são vendedores, eles sempre colocam suas bancas aqui”. Mas está muito forte o cheiro e não há bancas.
Cruzo a ponte, espuma no rio??? Não olho e vejo ... peixes, dezenas, centenas, milhares, manchas brancas vagando pelas ondas. Cheiro forte que se desprende de suas carnes pútridas... Toda a ponte rescende a peixe morto.
Todos os peixes são iguais, percebo, não há espécies diferentes, apenas uma. São pequenos brancos, e navegam juntos ao sabor fétido das correntes.
Escuto atrás de mim um diálogo
- “Meu Deus, isso é por causa da poluição?”
- “Não sei.”
- É sim, essas fábricas despejam seu lixo no rio e os peixes morrem.”

Me afasto tenho pressa....

Na Cultura ando, ando, ando, escolho, incomodo, e exerço o meu liseu e não compro nada...

Na saída pelo Shopping Paço Alfândega me dou com uma recepção de lançamento de uma revista e apreciação de alguns quadros...

Recepção... alguns garçons interpretam que minha roupa desleixada é proposital e não caso da minha pouca importância para isto e sou servido... caldinho de peixe... bom... muito bom...

Saio...

Atravessando a ponte novamente escuto outro diálogo...
- "E esse monte de peixe?"
- "Há, isso é esse pessoal que pesca para vender, e como não vende tudo, joga o que sobra no mar."
- "Mas isso tudo?"
- "É."
- "As vezes eles não vendem bem, o gelo acaba, fica podre."

Confesso, faz mais sentido, são todos os peixes iguais.... me identifico mais com essa história...

Não pude reprimir o riso ao final da ponte ... “caldinho de peixe podre?”

Mas...

Podre são as pessoas que fodem com a natureza desta forma?
Podre são os peixes na sua fedentina?
Podre é o pássaro que vi levar o peixe para seu ninho, provavelmente alimentar seus filhotes com peixe podre?
Podre sou eu a me comer em um lugar no qual não fui convidado?
Ou podre estava o caldinho que tomei...
Porra mas estava bom...

Porém sublimemente podre esta este texto... minha única certeza...

3 comentários:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk..podre, porém crítico!

    "sorvete com sangue"..."caldinho de peixe podre"!
    adoro essa sua forma contestadora de ser.

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  2. Será um leve "gosto" pelo nojento??

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